quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Prestação de contas

 

Transparência na Administração Pública é um dos principais requisitos para uma boa administração. Entretanto, a prestação de contas e a transparência das ações do atual governo ficaram para trás. Muito pouco foi feito.

Querem um exemplo:

Quem dos senhores ficou sabendo que o município de Antônio Prado recebeu da UNIVIAS –  concessionária responsável pelos pedágios dos Pólos Lajeado/Caxias do Sul/Metroplolitano – R$ 1.597.175 milhões (sem correção)?

Esses recursos entraram diretamente no cofre municipal. Que destino foi dado a esses recursos? Onde foram investidos? Em que foram gastos....

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

* O Tabuleiro político para 2014 no RS


 O resultado das eleições municipais de 2012 já está calibrando os partidos políticos para a disputa pelo Palácio Piratini em 2014. Pelo menos três siglas devem ter candidaturas próprias: PT, PP e PMDB. Há, ainda, um forte apelo de setores do PDT pelo “protagonismo” na eleição de 2014. Com o aumento de 65 para 70 prefeituras e a vitória em primeiro turno nas duas maiores cidades gaúchas – Porto Alegre e Caxias do Sul –, os pedetistas já começam a sonhar com voos maiores.

Em um cenário complexo, que envolve também uma vaga majoritária na disputa pelo Senado, os partidos que não lançarão candidaturas próprias ao governo estadual também se movimentam na busca de espaço em futuras coligações. Até o momento, uma das peças centrais na disputa é o governador Tarso Genro (PT), que deve concorrer à reeleição. O petista precisa amarrar bem a sua ampla coalizão (PT, PSB, PCdoB, PR, PTB, PDT, PRB, PV) para evitar a debandada de aliados para outras candidaturas.
Com a aproximação entre a deputada federal Manuela D’Ávila (PCdoB) e a senadora Ana Amélia Lemos (PP) – virtual candidata ao governo gaúcho em 2014 –, não está descartada a possibilidade de os comunistas embarcarem no palanque progressista e ainda levarem junto o PSB, aliado de primeira hora do PCdoB no Rio Grande do Sul. E, caso o PDT lance candidatura própria, é bem possível que carregue junto o PTB, parceiro fiel do partido em Porto Alegre. 

Tarso pretende fortalecer aliados para disputar a reeleição

Atento às movimentações, o governador deve promover algumas mudanças em seu secretariado para ampliar o espaço dos aliados no primeiro escalão. Na próxima semana, Tarso se reunirá com o PT, na segunda-feira (22), e com o PDT, na terça-feira (23), para azeitar a distribuição de cargos.

Ele terá que cortar espaços do próprio partido para contemplar os desejos de aliados como o PDT. Uma das secretarias que pode passar para as mãos dos pedetistas é a de Justiça e Direitos Humanos, hoje sob o comando do petista Fabiano Pereira. 

Outra estratégia será fornecer a vaga da coligação ao Senado para o PSB, que deve lançar o nome do secretário de Infraestrutura Beto Albuquerque.
 

PDT dividido entre três caminhos

Os dirigentes do PDT gaúcho não cabem em si de tanta euforia. O partido conquistou, no primeiro turno, os dois maiores municípios do estado: Porto Alegre, com a reeleição de José Fortunati, e Caxias do Sul, com o deputado estadual Alceu Barbosa Velho. Além disso, os pedetistas terão o comando de 70 prefeituras a partir de janeiro de 2013, contra as 65 conquistadas em 2008.

Essas duas principais vitórias têm um ponto em comum: ambas se deram em uma sólida parceria com o PMDB. No caso de Caxias do Sul, o atual prefeito José Ivo Sartori (PMDB) não poderia mais concorrer à reeleição e resolveu honrar um acordo estabelecido com o PDT. Por isso, patrocinou a candidatura de Alceu Barbosa, com um vice peemedebista. 

Bolzan avisa que PDT poderá embarcar em candidatura do PMDB

Em Porto Alegre, José Fortunati havia assumido a titularidade do Paço Municipal após José Fogaça (PMDB) deixar a prefeitura em março de 2010 para concorrer ao governo do estado. Nesse caso, também havia um acordo estabelecendo que o PDT concorreria em 2012 e os peemedebistas indicariam o vice na chapa majoritária.

Essa aliança fundamental nas duas maiores cidades gaúchas pode ser o fio condutor para uma parceria entre PMDB e PDT na disputa pelo Palácio Piratini em 2014. Resta saber quem teria a cabeça de chapa. E também seria preciso superar os traumas que essa mesma aliança gerou em 2010, quando José Fogaça concorreu ao lado do pedetista Pompeo de Mattos como vice.

Na época, o PDT se dividiu, já que Fogaça e o PMDB se recusaram a fazer campanha para a presidente Dilma Rousseff (PT) no estado. Por isso, parte do partido foi para o palanque de Tarso – inclusive o ex-governador Alceu Collares. Além disso, Pompeo, que havia abdicado de concorrer à reeleição na Câmara dos Deputados, chegou a dizer que Fogaça era um “cavalo cansado”.

Sem emprego, o ex-deputado teve que deixar de receber seu salário de parlamentar e voltar para o cargo de concursado do Banco do Brasil, recebendo pouco mais de R$ 3 mil. Posteriormente, Fortunati criou uma Secretaria Municipal do Trabalho, onde abrigou o companheiro de partido.

Para o horizonte de 2014, o PDT está diante de três escolhas: lançar candidatura própria, continuar aliado ao governo petista ou embarcar no palanque do PMDB. “Organizaremos um debate geral no partido para avaliar esses três cenários”, avisa o presidente estadual dos pedetistas e prefeito de Osório, Romildo Bolzan Júnior.

Vieira da Cunha defende candidatura própria ao Palácio Piratini

Ele reconhece que a parceria com o PMDB é forte no Rio Grande do Sul. “Não resta dúvida de que as vitórias que obtivemos em Porto Alegre e em Caxias decorrem de uma aliança com o PMDB. Esse é um cenário que teremos que analisar, poderemos estar em um outro campo em 2014”, pondera.

O presidente do PDT de Porto Alegre, deputado federal Vieira da Cunha, é abertamente favorável à candidatura própria. “É uma tese sempre presente. Foi o que defendi em 2010 e continuo convicto de que esse é o melhor caminho para o partido”, opina.

 

PMDB dividido entre nomes

Já é praticamente um consenso entre os dirigentes peemedebistas que o partido irá lançar candidatura própria ao Palácio Piratini em 2014. Internamente, o PMDB avalia que essa é a única saída possível para a sigla recuperar a auto-estima perdida com a derrota sofrida em 2010, quando José Fogaça perdeu no primeiro turno e o ex-governador Germano Rigotto não conseguiu se eleger ao Senado.

 

O problema do PMDB é outro. Quem será o candidato? As lideranças do partido citam pelo menos cinco possíveis nomes: o prefeito de Caxias do Sul, José Ivo Sartori, o ex-governador Germano Rigotto, o ex-prefeito de Porto Alegre José Fogaça, o ministro da Agricultura Mendes Ribeiro Filho e o deputado federal Eliseu Padilha.

Desses cinco, o prefeito de Caxias pode ser considerado o rosto novo em disputa. Com um governo extremamente bem avaliado e com a vitória de seu sucessor, ele se credenciou para disputar o cargo. Com a visibilidade que obtém no ministério, Mendes Ribeiro também é uma alternativa. E Eliseu Padilha – amigo pessoal do vice-presidente da República Michel Temer (PMDB) – poderia almejar o posto devido à influência que possui nos diretórios estadual e nacional do partido.

O sonho de alguns peemedebistas é ter o PDT como aliado novamente e entregar a vaga de vice ao partido. “O PMDB deu as duas maiores cidades gaúchas ao PDT. É uma questão de reciprocidade. Se o PDT entender que deve concorrer ao governo do estado, que concorra ajudando o candidato do PMDB. Se quiser lançar candidatura própria, tudo bem, aí desfazemos as parcerias em Porto Alegre e em Caxias do Sul”, avisa o deputado federal Osmar Terra. Ele era a principal liderança que defendia candidatura própria do PMDB à prefeitura da Capital.

Conhecido por ser um bom frasista, o presidente do PMDB gaúcho, Ibsen Pinheiro, afirma que “com a força estadual do partido, concorrer ao governo do estado deixou de ser uma obrigação história e se tornou uma verdade aritmética”. Ele assegura que a candidatura própria ao Palácio Piratini é “um sentimento unânime de alto a baixo no partido”.

Ibsen Pinheiro acredita que os mesmos nomes cotados para o governo estadual também estão cotados para disputar a cadeira no Senado. Além disso, ele próprio se credencia para a vaga. “Apresentarei o meu nome na convenção”, avisa.

 

Ana Amélia: enfraquecida ou fortalecida após as eleições municipais?

Grande aposta do PP para que o partido volte a ter uma candidatura competitiva ao Palácio Piratini, a senadora Ana Amélia Lemos – eleita com mais de 3 milhões de votos – amargou vitórias e derrotas nas eleições municipais deste ano. Ela percorreu centenas de municípios emprestando seu apoio no interior do estado e conseguiu fazer com que o PP se mantivesse como o maior partido em número de prefeituras gaúchas. Embora tenha registrado uma queda de 146 para 136 municípios, o partido segue na liderança. Além disso, a atuação da senadora atraiu milhares de novos filiados à sigla.

Entretanto, Ana Amélia sofreu uma profunda derrota em Porto Alegre, onde sua candidata, Manuela D’Ávila, perdeu no primeiro turno. À revelia de parte do PP municipal, a senadora defendeu o apoio à comunista e acabou sendo derrotada na convenção partidária em uma votação apertada.

A ala do PP que optou pela aliança com o prefeito José Fortunati se dividia em dois espectros: aqueles que tinham cargos na administração municipal e aqueles que resistiam a uma parceria com o PCdoB por questões programáticas e ideológicas.

Ainda assim, à revelia da decisão partidária, Ana Amélia resolveu apoiar Manuela e se afastou da direção do diretório metropolitano. Mesmo com o apoio da senadora, a comunista não conseguiu vencer a eleição e há quem diga que essa derrota enfraquece também o poder de liderança de Ana Amélia.

Dentro do PP, a ordem é colocar panos quentes na polêmica em Porto Alegre e apostar todas as fichas na eleição da senadora ao governo estadual. “Teremos candidato ou candidata ao governo gaúcho. Termina uma eleição e começa outra. Iremos preparar uma alternativa pela oposição”, assegura o presidente do PP no Rio Grande do Sul, Celso Bernardi.

Ele minimiza o impacto da derrota de Manuela na Capital sobre as pretensões eleitorais de Ana Amélia. “Não vejo nenhuma relação da eleição de Porto Alegre com a participação da senadora no projeto que temos de ter uma candidatura ao governo do estado”, entende.

*Analise Sul21

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

* Acento para gigantes
Você já experimentou sentar nos acentos dos abrigos, nas paradas de ônibus?
Tenho 1,70, e ao descansar um pouco da pernada pela avenida principal fiquei impressionado com a altura do banco. Sentado, minhas pernas ficaram balançando no ar.

Fiquei pensando nas crianças, nas pessoas baixinhas, nas pessoas idosas e principalmente nos deficientes. Como conseguirão sentar?
A dificuldade para sentar é grande e o risco para uma queda ou para a torção de um pé ao descer é evidente.

Sugestão bem humorada:
Acho que a administração deveria deixar uma escadinha ao lado de cada abrigo, assim facilitaria um pouco mais para que as pessoas pudessem sentar sem grande esforço.

Qual é mesmo o motivo para tamanha altura dos acentos?
Será que foi descuido e mau planejamento, visto que os abrigos foram feitos às pressas para contar ponto no período eleitoral?
Tenho visto há anos vereadores baterem na tecla da necessidade da construção dos abrigos. Mas jamais penseis que a atual administração iria fazer a toque de caixa – igual a velha política que faz obras mal feitas durante o período eleitoral, só para ficar (aparentemente) de bem com a população.
Além do mais, sendo uma cidade turística, bem que os abrigos poderiam ser mais bonitos.

* Correspondência enviada por leitor

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

“Colhemos o que plantamos!”


Vereadora do partido do atual governo de Antônio Prado (que está com os dias contados) vestiu a sandália da humildade na primeira sessão plenária, realizada após as eleições que deu a vitória à coligação de Camatti (PT) e Lovatel (PP). Em seu pobre e apelativo discurso ela disse: “colhemos o que plantamos”.

Precisamos concordar inteiramente com a nobre vereadora (que, aliás, desistiu de concorrer após pesquisas eleitorais indicarem alta rejeição ao seu mandato). Um governo que há 8 anos vem distribuindo privilégio a alguns, cargos a outros e decepções à maioria; um governo que não atendeu aos anseios e apelos da população e tampouco conseguiu realizar grandes obras - As que tentou fazer, a exemplo do asfalto furado, trouxe endividado à prefeitura deixando a conta, agora para Camatti pagar. Os miúdos 3 km de asfalto, já foram remendados, antes mesmo de ser concluído, e está apresentando graves irregularidades, que certamente será apontada pelo Tribunal de Contas.

Um governo assim só pode colher DERROTA.

Um governo que distribuiu leite vencido ao seu povo, que não consegue atender as demanda dos necessitados, a exemplo de pessoas que precisam de fraldas, moradia subsidiada, iluminação, saneamento - deve colher a merecida DERROTA.

Um governo que não consegue cuidar do seu próprio lixo, que governou com servidores (não todos) desqualificados e grosseiros, a exemplo da servidora da saúde que agrediu uma transplantada e, na falta de medicamento, mandou dividir o remédio ao meio – só pode colher DERROTA.

Um governo que plantou arrogância, intrigas, ameaças e perseguições durante toda a gestão, agora colhe a esperada DERROTA.

E como publicou o nobre presidente da Câmara de Vereadores, o Catissa, “é preciso governar em linha reta, sem curvas” (ou ele quis dizer, sem desvios)? Foi sábia a decisão do povo de Antônio Prado. Elegeu a mudança. Essa foi a resposta silenciosa  ao plantio de desesperança.

O Fortaia News parabeniza a Coligação “Construindo para Todos” pela bela e limpa campanha realizada.

Parabeniza o povo pela coragem e grandeza em eleger um agricultor que saberá plantar para todos. Parabeniza os novos gestores: prefeito Camatti e Vice Lovatel, e também a todos os vereadores que atingiram o coeficiente eleitoral, tornando-se representantes legítimos do povo.
* Texto enviado por colaborador

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Uma Administração de Problemas


No próximo dia 28 de outubro, completam exatamente oito anos que o Jornal Pioneiro publicou matéria em suas paginas com o seguinte Titulo: “Um Vendedor de Sonhos”.
Em uma página inteira, o jornal tentou retratar o perfil e as ideias (utópicas) do recém-eleito prefeito de Antônio Prado.

Entre as tantas, destaco apenas uma, vamos reproduzir aqui, na integra, essa questão:

Pioneiro: - O que pode ser feito pelo turismo local?

Prefeito: - Bastante. Pensamos inicialmente em colocar placas indicativas a um baixo custo, fazer a abertura da Avenida Valdomiro Bochese, reformular todos os canteiros e melhorar a limpeza da cidade. Vou pedir ajuda ao Ifhan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional)  em relação a projetos. Queremos transformar Antônio Prado no segundo polo turístico da região nordeste do estado. O primeiro é indiscutivelmente Gramado e Canela. 

Eu pergunto aos leitores. Isso aconteceu? Será que “deu problema”?

Logo que assumiu, veio à primeira desculpa problema. Temos que colocar em dia as finanças para depois começar a trabalhar. E lá se foram dois anos sem obras, sem absolutamente nada, a não ser geração de empregos para CCs

Vamos agora lembrar algumas obras da atual administração que DERAM PROBLEMA.

O Pórtico da cidade. Era para ser inaugurado no final dos primeiros quatro anos da administração, deu problema, não foi inaugurado.

A escola Aparecida, não ficou pronta no tempo hábil divulgado. Deu problema e continua dando com infiltrações.

As obras da Praça Garibaldi, demorou o dobro do tempo, por que, segundo o prefeito, deu problema.

O calçamento para a estrada velha de Ipê. Segundo o prefeito a verba já estava na conta. A verba podia estar, mas o calçamento deu problema, não foi e nem será concluído nessa administração.

O tão comentado asfalto para Santo Isidoro. Esse deu problema antes de inaugurar. Começou a deteriorar, como esse site divulgou, ai veio à empresa e culpou o computador. Será que é culpa do computador também que a obra não prossegue?

 

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Até em época eleitoral....

 Nem em tempo de campanha eleitoral, o atendimento ao público é humanizado na Administração Pública de Antônio Prado. Sem a intenção de sermos genéricos, relatamos fato ocorrido nesta semana que passou na Secretaria de Habitação e Assistência Social.

- Munícipe dirigiu-se a Secretaria de Assistência Social para buscar ajuda e saiu de lá com mais problemas. A funcionária que lhe recebeu, não só não a ajudou com a escorraçou do gabinete. Aos gritos, confrontou-se com a senhora que foi buscar ajuda e a colou para fora, fechando a porta em sua cara.
No momento do furdunço (por acaso) chegou o Secretário Municipal de Assistência Social e tentou abafar o caso. Chamou a senhora humilhada para dentro de sua sala (a portas fechadas). Lá não sabemos o que aconteceu. No entanto, o objetivo era evitar que o fato chegasse aos ouvidos do prefeito e na boca da oposição, nos comitês eleitorais.
Já sabemos que as duas coisas aconteceram... mas a necessidade da escorraçada ainda não foi atendida.
Não é a primeira vez que munícipes não são bem atendidos nessa Secretaria, diga-se de passagem, a que mais precisa de servidores capacitados, já que atua sempre com pessoas necessitadas.
Está aí um grande desafio do novo prefeito de 2013. Não apenas estabelecer um atendimento humanizado em todos os setores, mas contratar pessoas capacitadas em todas as áreas e instrumentalizar as secretarias para que sejam de fato resolutivas.
O Fortaia News repudia o mau atendimento e está acompanhando mais esse caso de falta de humanidade da atual gestão.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Democracia e Desigualdade: Mulheres e STF




“Mas o meu país, como todos os países do mundo, ainda precisa fazer muito mais pela valorização e afirmação da mulher”.  Presidenta Dilma Rousseff - abertura da 66ª Assembleia Geral da ONU, 21/09/2011
No final de 2012 a Presidenta Dilma terá a possibilidade de reduzir a desigualdade de gênero no Poder Judiciário, em seu órgão máximo, o STF, o que terá efeito extraordinário para a imagem da mulher na sociedade brasileira e para o reconhecimento de sua capacidade. A Presidenta poderá, com a aposentadoria compulsória do Ministro Cezar Peluso, em setembro, e do Ministro Ayres Britto, em novembro, indicar duas mulheres para o STF.
Poderá também inovar e tornar mais democrática a escolha dos membros do Supremo Tribunal Federal.

O artigo é de Samuel Pinheiro Guimarães.

1. Quanto mais complexa uma sociedade, quanto mais diversa, quanto maiores as diferenças regionais, étnicas, religiosas, de gênero e de riqueza, mais difícil é a tarefa de elaborar normas para reger as relações de toda ordem entre as pessoas, as empresas e as agências do Estado.

2. Uma sociedade é tanto mais democrática quanto maior a participação de seus cidadãos (e cidadãs...) na elaboração e na execução das normas que regem a sua vida.

3. Em sociedades de grande dimensão territorial e populacional e de grande complexidade econômica e social a participação direta dos cidadãos na elaboração dessas normas não é possível.

4. Este é o caso do Brasil, ainda que entre nós, o recente sistema de organização de conferências nacionais, as leis de iniciativa popular, como foi a da ficha limpa, e o referendo, são certamente avanços importantes no sentido de maior democratização do país, enfrentando a resistência dos inimigos da participação popular que se apresentam como indignados adversários da “democracia direta”.

5. De toda forma, nas grandes sociedades e devido à complexidade de certos temas, os cidadãos têm de escolher representantes para elaborar essas normas, outros tantos indivíduos para executá-las e ainda outros para dirimir os conflitos que decorrem da interpretação das normas.



6. O sistema de representação popular será tão mais democrático quanto melhor refletir os interesses dos diferentes segmentos da sociedade.

7. Isto não ocorre no Brasil. Nem no Legislativo, nem no Executivo nem no Judiciário.

8. As disparidades políticas, econômicas e sociais são a principal característica da sociedade brasileira.

9. Uma dessas disparidades é a disparidade de gênero, de grande importância, pois afeta direta ou indiretamente a todos os brasileiros.

10. As disparidades entre homens e mulheres são de toda ordem. As mulheres recebem remuneração menor por trabalho igual; as mulheres ocupam menor percentual de cargos de chefia nas empresas; as mulheres são, com muito maior frequência, vítimas de violência doméstica e de violência sexual; as mulheres chefiam a maioria das famílias uni parentais. Embora uma mulher ocupe, pela primeira, vez a Presidência da República, as mulheres estão espantosamente sub-representadas nos cargos mais elevados dos Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário.

11. 51% dos brasileiros são mulheres. Entretanto, há apenas 45 mulheres na Câmara em um conjunto de 513 Deputados, ou seja, menos de 9% do total. No Senado Federal, são nove Senadoras e 72 Senadores homens, em um total de 81. Esta situação de desigualdade vem se repetindo a cada Legislatura que é eleita desde 1988.

12. A superação das desigualdades entre homens e mulheres no Poder Legislativo é uma tarefa de grande complexidade e que demandaria, para se tornar efetiva, uma reforma da Constituição. A lei 9504/97, que obriga os Partidos políticos a apresentarem 30% de candidatas mulheres, não surtiu os efeitos esperados. Será necessário, ao ritmo atual, aguardar décadas e talvez até séculos, para atingir a paridade de gênero no Poder Legislativo e assim corrigir uma (a outra é a de riqueza) das duas principais desigualdades que caracterizam o Brasil.

13. Em 2010, na Índia, apesar de todos os desafios que sua sociedade enfrenta, foi aprovada lei que atribui às mulheres um terço das cadeiras do Parlamento.

14. Assim, não se pode dizer que o Estado brasileiro seja democrático, do ponto de vista da representação do principal grupo de sua população, que são as mulheres, no Poder Legislativo. E o mesmo ocorre no Executivo e no Judiciário.

15. Na chefia do Poder Executivo, está a Presidenta Dilma, que não veio a ser eleita por força do funcionamento do sistema partidário tradicional, mas sim por uma iniciativa política de extraordinário alcance do ex-Presidente Lula que ousou lançar sua candidatura. No Ministério, em um total de 38 Ministros, dez são Ministras, de Ministérios de relativamente pouca verba e pouco pessoal, ainda que alguns deles tenham grande poder político, como a Casa Civil, a Secretaria de Relações Institucionais e o Ministério do Planejamento.

16. Os Secretários Executivos são uma espécie de Vice-Ministros. Há 38 deles, dos quais somente sete são mulheres.

17. São 535 mil o total de funcionários dos Ministérios comandados por homens enquanto que o número de funcionários dos Ministérios chefiados por mulheres não ultrapassa 40 mil.

18. Nos Ministérios, existem cerca de 2400 cargos de alta chefia e assessoria que são ocupados por 1700 homens, 70%, e por 700 mulheres, cerca de 30%.

19. Os orçamentos, em 2012, dos Ministérios chefiados por homens somam em seu conjunto R$ 629 bilhões enquanto que os orçamentos dos Ministérios chefiados por mulheres somam R$ 11 bilhões.

20. É verdade que Maria das Graças Foster chefia a Petrobrás, empresa que é uma das maiores do mundo e que, no sentido orçamentário e de influência, vale mais do que muitos Ministérios, isolados ou em conjunto.

21. Mas, no total das 120 empresas estatais somente três são chefiadas por mulheres.

22. São 10 as agências reguladoras no Brasil, e apenas uma delas, recentemente, veio a ser chefiada por uma mulher.

23. A mesma dificuldade de reduzir a desigualdade de gênero que se encontra no Legislativo, ainda que em muito menor escala, se encontraria no Poder Executivo, onde, porém, a vontade política, a começar pela designação dos Secretários Executivos, poderia contribuir para enfrentar este desafio.

24. Uma minoria de homens (49% da população) domina, se sobrepõe, quem sabe se poderia até dizer que oprime, de forma sutil as mulheres, que são 51% da população, através da ocupação majoritária dos cargos no Legislativo e no Executivo, isto é, controlam o processo de elaboração e de execução das normas que regem toda a vida social do país.

25. O Poder Judiciário é o menos democrático dos três Poderes da República devido à forma pela qual são escolhidos os integrantes dos Tribunais Superiores.

26. No Poder Judiciário, seu órgão de cúpula, o Supremo Tribunal Federal, é integrado por onze Ministros, dos quais dois são mulheres. Nos demais tribunais superiores (Superior Tribunal de Justiça - STJ, Tribunal Superior do Trabalho – TST e Superior Tribunal Militar - STM) são, ao todo, 71 Ministros, dos quais apenas 11 são mulheres. A relação é de cinco mulheres para 26 homens no STJ; de cinco mulheres

para 20 homens no TST; de uma mulher para 14 homens no STM.

27. Somente em 2000, pela primeira vez na história do Brasil, uma mulher, a Ministra Ellen Gracie, foi escolhida para integrar o STF, onde hoje há duas Ministras mulheres, as Ministras Cármen Lúcia e Rosa Weber, e nove homens.

28. No final de 2012 a Presidenta Dilma terá a possibilidade de reduzir a desigualdade de gênero no Poder Judiciário, em seu órgão máximo, o STF, o que terá efeito extraordinário para a imagem da mulher na sociedade brasileira e para o reconhecimento de sua capacidade.

29. A Presidenta poderá, com a aposentadoria compulsória do Ministro Cezar Peluso, em setembro, e do Ministro Ayres Britto, em novembro, indicar duas mulheres para o STF. Poderá também inovar e tornar mais democrática a escolha dos membros do Supremo Tribunal Federal.

30. Poderá a Presidenta Dilma, se assim o quiser, solicitar a cada Tribunal de Justiça estadual uma lista tríplice de juízas e advogadas, assim como poderá consultar cada seção regional da OAB para que cada uma indique os nomes de três advogadas, com mais de vinte anos de militância jurídica ou de ensino do Direito. A partir do exame do mérito dos nomes incluídos nessas listas, e de outros nomes de mulheres de notável saber jurídico, a Presidenta poderá fazer suas indicações para as duas vagas no STF.

31. Caso isto ocorra, a Presidenta Dilma terá dado um passo decisivo para aumentar a participação da sociedade brasileira na escolha dos membros do Poder Judiciário, para tornar o Brasil mais democrático e terá reduzido o extraordinário desequilíbrio de gênero em um dos três Poderes da República.

32. A indicação de duas mulheres para o Supremo Tribunal Federal depende apenas da vontade política da Presidenta Dilma Rousseff, a primeira mulher presidenta do Brasil.